domingo, 18 de julho de 2010

Coerência

Definição
Koch,1995
A coerência é, basicamente, um princípio de interpretabilidade e compreensão do texto caracterizado por tudo de que é processo aí implicado pode depender.[...]
O estudo da coerência poderia ser visto como uma teoria do sentido do texto (seja ele uma frase ou um livro, não importa a dimensão), dentro de um ponto de vista de que um usuário da língua tem competência textual e/ou comunicativa e que a língua só funciona na comunicação, na interlocução, com todos os seus componentes (sintáticos, semânticos, pragmáticos, socioculturais, etc.).

Fatores que imprimem coerência a um texto

1). Conhecimento lingüístico: O conhecimento de estruturas lingüísticas de um idioma está diretamente relacionado ao entendimento que se tem de um texto. São fatores lingüísticos importantes para a coerência: retomadas pronominais, descrições definidas (com o mesmo referente), o uso de artigos, conectores, sinônimos, temporalidade, elipse, etc.

2). Conhecimento de mundo: É visto como uma espécie de dicionário enciclopédico de mundo que temos na memória. Ele se estabelece e se armazena na memória em blocos, como unidades completas de conceitos globais: ao lermos um texto, varremos nossas lembranças, que podem ser ativadas ou não por um conteúdo trazido no texto em questão.

3). Conhecimento partilhado: Já que o conhecimento de mundo é importante para o processo de compreensão do texto, emissor e receptor têm de Ter conhecimentos de mundo com um certo grau de similaridade. Isto vai constituir o conhecimento partilhado, que determina a estrutura informacional do texto em termos do que se convencionou chamar de dado e novo.

4). Inferências: Aquilo que se usa para estabelecer uma relação não explícita no texto, entre dois elementos desse texto. São operações que consistem em suprir conceitos e relações razoáveis para preencher lacunas (vazios) e descontinuidades em um mundo textual.

5). Fatores pragmáticos: São os fatores que têm a ver com a influência do pragmático (do uso cotidiano) na coerência. Exemplos são: contexto da situação, interação, interlocução, força ilocucionária, intenção comunicativa, características e crenças do produtor e do receptor no texto, etc.

6). Situacionalidade: Conjunto de fatores que tornam um texto relevante para dada situação de comunicação corrente ou passível de ser reconstituída.

7). Intencionalidade e aceitabilidade: Para que uma manifestação lingüística constitua um texto, é necessário que haja a intenção do emissor de apresentá-la e dos receptores de aceitá-la como tal. As noções de intencionalidade e aceitabilidade são introduzidas para dar conta, respectivamente, das intenções dos emissores e das atitudes dos receptores.

8). Informatividade: Designa em que medida a informação contida no texto é esperada/não-esperada, previsível/imprevisível. O texto será tanto menos informativo quando maior a previsibilidade; e tanto mais informativo quanto menor a previsibilidade.

9). Focalização: Falante e ouvinte, no diálogo, focalizam sua atenção em pequena parte do que sabem e acreditam, e a enfatizam. Assim, certas entidades (objetos e relações) são centrais para o diálogo e não só isto, mas também elas são usadas e vistas através de certas perspectivas que afetam tanto o que o falante diz como o que o falante interpreta.

10). Intertextualidade: Compreende as diversas maneiras pelas quais a produção e recepção de dado texto depende do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores, isto é, diz respeito aos fatores que tornam a utilização de um texto dependente de um ou mais textos previamente existentes.

11). Relevância: Uma das principais condições para o estabelecimento da coerência é a da relevância discursiva. Para ela, um texto é coerente quando o conjunto de enunciados que o compõem pode ser interpretado como tratando de um mesmo tópico discursivo de maneira relevante.

In: KOCH, Ingedore V. A coerência textual. SP, Contexto, 1995.

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